
O Cartório, em 2026, é modernizado e digital, pensado para otimizar processos e resolver problemas no menor tempo possível
Nos últimos anos, o setor extrajudicial brasileiro passou por uma transformação profunda impulsionada pela digitalização, integração nacional de sistemas e avanço das tecnologias aplicadas aos serviços registrais e notariais. Hoje, é possível emitir certidões online, assinar atos eletronicamente, realizar registros digitais, acessar plataformas integradas nacionalmente e até praticar determinados atos sem sair de casa.
Mais do que uma tendência tecnológica, a digitalização dos Cartórios se tornou uma necessidade institucional, operacional e social.
O avanço digital transforma a maneira dos serviços extrajudiciais se relacionam com o mundo, o Poder Judiciário, empresas e os próprios profissionais do setor. Afinal, com a mudança no dia a dia do trabalho, é necessária atualização constante e entendimento das novas tecnologias dominantes.
O movimento de modernização dos Cartórios começou há anos, mas ganhou força especialmente após o avanço da digitalização do Poder Judiciário, a consolidação das centrais eletrônicas e a necessidade crescente de integração nacional dos serviços. A pandemia da COVID-19 e o isolamento social também aceleraram esse processo.
A necessidade de manter os serviços funcionando remotamente impulsionou a adoção de assinaturas eletrônicas, atendimento digital, videoconferências e emissão online de documentos. Ao mesmo tempo, órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) passaram a intensificar políticas de padronização e digitalização do setor extrajudicial.
Hoje, a transformação digital faz parte da estrutura operacional dos Cartórios brasileiros. É impressionante notar a mudança das operações do começo da década de 2020 até agora – e a comparação é ainda mais notória quando pensamos na década de 2010. O sistema se modificou completamente, e métodos antigos tornaram-se obsoletos, dando lugar a atuações digitais e otimizadas.
Um dos principais marcos dessa modernização foi a criação do Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (SERP), instituído pela Lei nº 14.382/2022. O objetivo do SERP é integrar nacionalmente os registros públicos brasileiros em ambiente eletrônico, permitindo maior interoperabilidade entre Cartórios, cidadãos, empresas e órgãos públicos.
Na prática, isso significa que diversos serviços podem ser realizados digitalmente, independentemente da localização física do usuário. O Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), previsto pela Lei 13.465/2017 e constituído desde 2020, passou a desempenhar papel central e essencial nesse processo de integração tecnológica do Registro de Imóveis brasileiro.
A proposta foi criar um ambiente mais conectado, eficiente e acessível para os serviços registrais. De acordo com o próprio CNJ, a digitalização busca aumentar:
eficiência operacional;
segurança jurídica;
transparência;
rastreabilidade dos atos;
acesso da população aos serviços registrais.
A digitalização dos Cartórios impacta diretamente a rotina de profissionais e sociedade civil em todo o país. Muitos procedimentos que antes exigiam deslocamento presencial agora podem ser feitos de forma remota e eletrônica.
Entre os principais avanços estão:
A transformação digital não altera apenas ferramentas, mas modifica a própria lógica operacional do setor extrajudicial. Os profissionais passaram a lidar com plataformas eletrônicas, sistemas integrados, protocolos digitais, governança de dados, entre diversas outras modificações e modernidades.
Por isso, o Cartório contemporâneo exige cada vez mais competências tecnológicas e capacidade de adaptação.
Nesse cenário, a figura do escrevente também se transforma.
O domínio técnico-jurídico, que antes era boa parte do dia a dia notarial, começa a dividir o protagonismo conforme cresce a necessidade de familiaridade do atuante em Cartórios com sistemas digitais, inteligência de dados, plataformas eletrônicas e novas regulamentações tecnológicas.
Com a crescente digitalização de dados e reforço da LGPD, o Conselho Nacional de Justiça amplia a regulamentação relacionada à tecnologia e segurança da informação no setor extrajudicial. O melhor exemplo dessa atenção é o Provimento nº 213/2025, que reforça diretrizes ligadas à governança tecnológica, gestão de riscos e segurança cibernética nos serviços notariais e registrais.
A tendência é clara: os Cartórios deixam de ser apenas estruturas jurídicas tradicionais e passam a operar também como ambientes de gestão tecnológica e proteção de dados. E isso exige investimento não apenas em sistemas, mas em pessoas, treinamento e cultura organizacional.
A transformação digital do setor extrajudicial não depende, além da tecnologia, principalmente da qualificação das pessoas que operam o sistema. Afinal, não tem valor algum otimizar sistemas se não houver otimização do trabalho para a área.
O grande desafio de profissionais do setor extrajudicial passa a ser, portanto, entender as mudanças, se adaptar, e saber navegar e trabalhar nesse novo mundo. Cresce a importância da formação continuada para profissionais do setor.
Afinal, agora, é necessário entender e saber operar novos termos e ideias do dia a dia profissional, como:
O profissional do setor extrajudicial contemporâneo precisa unir conhecimento jurídico, visão estratégica e adaptação tecnológica, pois a tendência é que o futuro dos Cartórios seja totalmente digitalizado e otimizado. Logo, a digitalização dos Cartórios brasileiros não representa apenas uma modernização operacional, mas redefine a própria experiência registral no país.
A Uniregistral, entendendo tendências e se adaptando ao presente e futuro do setor, acredita na formação prática, acadêmica e profissional como aliadas para formar o bom profissional.
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E tudo indica que a transformação digital dos Cartórios brasileiros está apenas começando…